terça-feira, 21 de julho de 2020

Não ao porte de armas

Desde os primórdios da humanidade, o ser humano se valeu de armas para se defender de animais e outros seres humanos. As primeiras armas as quais ele tinha à disposição eram suas próprias mãos. Com a evolução do intelecto humano, novas habilidades e armas foram surgindo; fazendo com que o homem, assim, tenha mais segurança para si mesmo e para a sua família. Além de prover o seu sustento. Mas com o passar dos séculos, o que era garantia de melhor alimento e proteção para os seus, se tornou instrumento de violência, subjugação e medo. Instrumento de guerras, contendas muitas vezes injustas e cruéis com os mais fracos, aniquilação de raças inteiras e por aí vai... À medida em que as armas foram evoluindo, a mentalidade de seus portadores foi estreitando-se de forma proporcional à sua evolução. Não se pensa mais em garantir uma boa caça, defender sua vida e das pessoas que amam, defender seus patrimônios de usurpadores vis mas, sim, de matar, por esporte e prazer em ver sangue inocente sendo vertido em direção à Mãe Terra, em se apoderar das posses de pequenos trabalhadores, rurais e urbanos com o intuito de amealhar riquezas num volume à beira do pecaminoso, causar temor e promover o desespero e desalento à nações inteiras. As armas viraram de instrumentos de segurança e sobrevivência em instrumentos do medo, da insegurança, da carnificina e da morte.

Muitos querem que o porte de armas seja liberado para a população em geral. Esse pensamento é justificado pelas altas taxas de criminalidade em nossos campos e cidades. Julgam que, com uma arma, estarão à salvo dos bandidos desprovidos de humanidade que povoam nossa "pacata" sociedade. Vamos analisar alguns detalhes e veremos que não estarão livres nem deles mesmos!

Primeiro, vamos supor que você esteja diante de um bandido, que está armado com uma faca, portando um revólver. Aparentemente, você está em vantagem. Mas, se ele for um bandido habilidoso e audaz ou se ele estiver em maior contingente, a vantagem se inverte. E mesmo que você o impossibilite de reagir ou mesmo o mate, você terá um problema moral a resolver. Porque se você o matar, você estará tirando uma vida. Mesmo que seja numa situação de autodefesa. Tornando-se, assim, tão criminoso quanto ele. Uma vida, por mais que seja a de um criminoso, não pode ser restituída depois de seu passamento. Você passará o resto da vida com esse peso na consciência. Ferir uma pessoa de forma não letal, nesse caso, é mais aceitável. Mas se você esboçar reação e ficar em dúvida sobre o que fazer, não souber manusear a arma ou a arma travar (sim, armas travam!), VOCÊ é quem morre! E não queremos que isso aconteça, né?

Segundo, você pode dizer "Ah, mas armas são caras e e exigem requisitos muito altos para a sua aquisição...". Verdade, armas tem um custo elevado e exigem, além de muitos testes e documentos para a sua aquisição, muito treinamento especializado e qualificação. Aí vocês pensam "Ah, assim não vai ser todo mundo que vai ter uma arma." Mas esquecem que estamos no Brasil. O país do "jeitinho". Do mesmo jeito que se consegue cigarro e whisky ilegal do Paraguai, que se falsificam passaportes e carteiras dos mais variados tipos, que se adultera e clonam chassis de carros pra venda ilegal... Pode-se fazer o mesmo com as armas. Isso rende dinheiro à criminalidade. E bandido só quer uma coisa: dinheiro no bolso dele. Não importa se um ser humano, uma família ou nação se perca no caminho.

Terceiro, você é um cidadão de bem (confesso que ouvir essa expressão, nesses últimos tempos, tem me dado arrepios!), que segue as leis, faz tudo de forma correta, adquire sua arma de forma legal, atendendo todos os requisitos exigidos para a compra, fez o treinamento necessário e se sente apto a portar um arma. E adquire a arma. Perfeito. Vamos analisar. Se você mora sozinho, você pode pensar que escondendo bem ela, não haverá perigo. O mesmo acontece se você mora em família. Mas vamos parar para pensar. Vivemos numa época em que o isolamento social tem afetado de forma aterradora nossa psiquê. Tem nos tornado ansiosos, tensos, depressivos... Psicologicamente abalados. Com os nervos à flor da pele. No caso de uma pessoa solitária, por exemplo. Meses e meses sem contato com seus familiares e amigos, sem calor humano, sem perspectivas de um futuro mais solar... A mente começa a maquinar coisas sombrias. A depressão vem; as crise de ansiedade, também. E não demora muito para sentir que a vida não vale mais a pena. Se a pessoa tem uma arma municiada em mãos, as chances de ela atentar contra a própria vida se agigantam. E no caso de uma família, o resultado é ainda mais desastroso. Qualquer faísca, qualquer discussão mais acalorada - ainda mais se a família é instável - pode gerar uma chacina. E se as crianças tiverem acesso às armas, o estrago é ainda mais aterrador.

E quarto, mesmo que nada disso aconteça, uma arma é uma objeto valioso para a bandidagem. Roubar uma arma de uma família honesta é um achado para eles, pois podem usar a arma em outros crimes ou revender para pessoas que não podem ou não querem comprar uma arma legalizada.

Devemos apoiar os bons policiais, que fazem de tudo e entregam suas vidas para proteger os cidadãos. As únicas armas do cidadão devem ser as boas ações, a voz e o voto. Paz!

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